É pecado fazer tatuagem?
Não: a Igreja Católica não tem nenhuma norma que proíba a tatuagem. O que pesa é o que se tatua, por que se tatua e como se cuida do próprio corpo.
Muita gente lembra do Levítico: "Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo" (Lv 19,28). O versículo fala de incisões "por um morto" e está ao lado de proibições como a da adivinhação e da magia (Lv 19,26). É um preceito da Lei antiga, e o Catecismo ensina que a Lei de Cristo "nos liberta das observâncias rituais e jurídicas da Lei antiga" (Catecismo, 1972). Esse versículo, sozinho, não faz da tatuagem um pecado.
Isso não quer dizer que tanto faz. São Paulo lembra: "o vosso corpo é templo do Espírito Santo [...]. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo" (1Cor 6,19-20). Daí saem três perguntas honestas:
O desenho. Uma imagem que zomba da fé, exalta o ocultismo ou é obscena contradiz aquilo em que o cristão crê.
O motivo. O Catecismo alerta contra o "culto do corpo", que sacrifica tudo à aparência (Catecismo, 2289). Vale perguntar se a tatuagem nasce de um desejo bom ou de uma pressão que machuca.
A saúde. Temos "a obrigação de cuidar razoavelmente" da vida e da saúde (Catecismo, 2288): lugar e profissional sérios fazem parte disso.
O Papa Francisco chegou a usar a imagem para falar do amor de Deus. Lembrando Isaías, disse: "Hoje a tatuagem está na moda", e pôs na boca de Deus: "Fiz uma tatuagem de ti nas minhas mãos" (Audiência Geral, 20/02/2019).
Se a dúvida é sobre um desenho específico, conversar com um padre ajuda a discernir.