Por que os católicos adoram imagens?
Os católicos não adoram imagens. A Igreja ensina que a adoração é devida só a Deus; às imagens de Cristo, de Maria e dos santos se presta uma "veneração respeitosa", e não uma adoração (Catecismo, 2132).
É uma pergunta justa, e quem a faz costuma pensar no mandamento: "Não farás para ti escultura, nem figura alguma [...]. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto" (Ex 20,4-5). O Catecismo leva esse texto a sério: esse mandamento proibia qualquer representação de Deus feita pela mão do homem (Catecismo, 2129).
Mas o próprio Antigo Testamento mostra que nem toda imagem é ídolo. Deus mandou fazer dois querubins de ouro sobre a arca (Ex 25,18) e a serpente de bronze, para a qual o povo olhava e "conservava a vida" (Nm 21,8-9). O Catecismo cita esses dois casos (Catecismo, 2130).
O que mudou tudo foi a Encarnação: ao se fazer homem, diz o Catecismo, o Filho de Deus "inaugurou uma nova economia das imagens". Por isso o II Concílio de Niceia, no ano 787, defendeu as imagens de Cristo, de Maria, dos anjos e dos santos (Catecismo, 2131). E explica o sentido: "a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original", e "quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada" (Catecismo, 2132).
Ou seja: a oração não para na madeira ou no gesso. "O movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem" (Catecismo, 2132). Quem reza diante de um crucifixo reza a Cristo, não ao crucifixo.
Nada disso é dito para diminuir quem pensa diferente. O Catecismo chama os cristãos de outras comunidades, batizados e que vivem a fé em Cristo, de "irmãos no Senhor" (Catecismo, 818). A pergunta merece uma resposta clara — e a resposta é que a adoração, para o católico, também é só de Deus.